Entrevista com Ângelo Rafael Latorre Daólio, nosso Defunteiro

Quem não conhece o Ângelo Rafael Latorre Daólio, o Defunteiro de Bebedouro?  Nele, vemos um bom exemplo,  não da Epifania (o Deus que vem do alto e se anuncia), mas da Diafania (o Deus que emerge de dentro de nós). Ninguém melhor do que nosso Defunteiro para nos fazer entender que Deus está atrás do necessitado que se ajoelha aos nossos pés para pedir ajuda. O seu modo de ser em relação ao próximo vem de duas fontes. A primeira, a estrutura familiar que recebeu.  A segunda é essencialmente transcendental.


Finalmente ele capitulou diante dos meus incessantes pedidos para que concedesse uma entrevista à nossa coluna. Algumas pessoas foram acionadas para mediar essa negociação. Mas não fizemos nenhum pacto faustiano, aquele que aparece no poema Fausto, de Goethe. Sendo assim, o entrevistado continuará convivendo com uma tristeza medular: ainda não enterrou um escritor nascido em Bebedouro. Nem eu, na condição de escritor bebedourense, candidatei-me. Continuo com o propósito de que a minha morte não se intrometa na minha vida.

As perguntas formuladas ao entrevistado levantam questões múltiplas. As respostas veem acompanhadas  de bom humor e nos convidam à reflexão.


Qual o seu escritor preferido?

Machado de Assis.


Ele nasceu no Rio de Janeiro. Já ouviu alguma curiosidade sobre ele?

“Penso que Machado seja natural de São Thomé das Letras. Se o     bicho é escritor, só pode ser de lá”. – disse-me certa vez uma pessoa que se apresenta como um político culto.


O senhor seguiria os passos de qual político do cenário mundial?

De nenhum. De repente, poderia dar o passo errado. Ou então, ficar marcando passo. Ou ainda, na velhice, colocar marca-passo no coração por ter feito todas as besteiras que determinado tipo de político faz.


Quem inventou a medida de comprimento chamada polegada?

Foi a imprensa brasileira que cobriu o concurso Miss Universo de 1954.  Marta Rocha ficou em segundo lugar por ter duas polegadas a mais nos quadris em relação à primeira colocada, a americana Miriam Stevenson. Pura invenção jornalística para salvar a barra da nossa representante. Quá... quá...quá...


Além do telefone fixo, ainda em uso, que outro objeto divide espaço com o celular?

O cotonete. Os três não saem dos ouvidos. Mas a exemplo dos Três Mosqueteiros, romance histórico  (capa e espada) escrito pelo francês Alexandre Dumas, que não são três, mas quatro (D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis), tenho um quarto elemento sempre pendurado e sussurrando numa das minhas orelhas, o Casemiro Rasteiro.


Qual o legado de um mal político para os eleitores?

O testamento de um abismo.


Ângelo, o que é um poeta?

É um cara que não faz nada na vida e, durante o ano inteiro, carrega nas tintas quando fala de mim. Esse poeta é  você, Augusto Aguiar. Mas tem uma coisa, estarei sempre reavaliando a sua condição de poeta, a sua produção literária. Mas para baixo. Quá...quá..quá.


Defina o casamento nos dias atuais.

Uma cena breve na vida real, principalmente entre os artistas e famosos.


O que é ser pai?

É daqui a alguns anos você ser chamado de sogro, avô, bisavô, tataravô etc.


O que é não ser pai?

É quando o teste de paternidade dá negativo.


Em 2014, um leão raptado em Monte Azul Paulista foi encontrado todo preto em Maringá, estado do Paraná. Lembra-se?

Sim!!! Na época, esconderam o bicho lá na Petrobras. Quando foi encontrado, estava assim, preto. Ou melhor, sujo. 


Quem será o próximo prefeito municipal de Bebedouro nas eleições de 2016?

O candidato que vencer as eleições.


Todo homem que bebe é corno?

Sem dúvida nenhuma. Segundo a tese do cartunista Jaguar, todo homem que bebe é corneado pelo fígado: cirrose, hepatocarcínoma (câncer de fígado) etc. Com alguns que não bebem, às vezes, o fígado também é adúltero. Viu Gutooooo. Quá, quá, quá, quá, quá...


Quem conhece o Defunteiro antes de ser político sabe que esse negócio de ajudar as pessoas é algo que nasceu dentro de você. Não precisa da Política para ser assim nem ser assim para ser político.

(Silêncio, tocado pela emoção).


Algumas pessoas dizem que sua esposa  dá broncas pelos seus excessos nessa sua densidade humanística. Se preciso for, tira a camisa e dá para o necessitado. Dizem que ela já comentou que qualquer hora te dá as malas. O que pensa sobre isso?

Ainda bem que a Sueli, minha esposa, não é uma mulher de palavra. Quá ... quá... quá...


Augusto Aguiar

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