Sejam praticantes da Palavra e não apenas ouvintes! Tg 1,22

“Sejam praticantes da Palavra e não apenas ouvintes!” (Tiago 1,22)

 Com frequência, ouvimos expressões como: “O mundo não precisa de muitas palavras, mas de ação!”; “Um bom exemplo de vida vale mais do que mil palavras!”.
 Essas expressões partiram de pessoas que evangelizaram mais com o testemunho de sua vida do que com os discursos bem elaborados nas academias e eloquentemente pronunciados dos púlpitos e palanques. Essas expressões, em diversos lugares e situações, foram e continuam sendo repetidas por aqueles que já se cansaram de ouvir bons propósitos, projetos e planos que não produziram os efeitos esperados, mas, ao contrário, acabaram gerando certo ceticismo, descrença ou desesperança.
 Já faz tempo que expressões como: “Palavra de homem que é homem não volta atrás!”, mesmo que carregada de certo “machismo”, deixaram de ter a força que as impulsionaram.
 As palavras não passam de signos linguísticos previamente convencionados por um sistema de sinais. Ou seja, partem de uma relação semelhante àquelas dos sinais de trânsito, cuja lógica arbitrária faz com que o “vermelho” signifique “pare”, e o “verde”, “prossiga”. Contudo, cada palavra que utilizamos no dia a dia tem sua história e reflete as evoluções culturais sofridas pela sociedade em que vivemos atualmente.
 Para os povos primitivos, a palavra não era apenas a manifestação do pensamento ou da vontade, mas uma coisa concreta, que existia objetivamente, operava e estava como que carregada com a força da pessoa que a pronunciava. Não era apenas um som, mas um ser real, embora invisível, como o hálito que, juntamente com a palavra, saía da boca e, depois de ter sido pronunciada, continuava a existir e a operar.
 Em Israel, os verdadeiros devotos atribuíam a força da “palavra” à “vontade” de Javé.
 Olhando por esse ângulo, não existe distância entre a palavra pronunciada por Deus e a sua realização, como se pode constatar na narrativa da criação: “Deus disse: que exista a luz! E a luz começou a existir” (Gn 1,3); “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança! Com isso, Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher!” (Gn 1,26-27).
 Dentro dessa mesma lógica, encontra-se o profeta. Como Deus está com ele, nenhuma de suas palavras fica sem ser cumprida (cf. Is 44,26).
 No Novo Testamento, no Evangelho de João, capítulo 1º, versículos 1 e 14, vamos encontrar: “No princípio a Palavra já existia, e a Palavra estava em Deus e a Palavra era Deus”; “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós”.
   Concluindo:
 Qual o valor de escutar a Palavra, mas não traduzi-la em ação eficaz?
 As palavras comovem, mas o testemunho daquilo que falamos arrasta e, com a graça de Deus, converte.


Cônego Pedro Paulo Scannavino
Paróquia São João Batista

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