A era da incomunicação

 As crianças já não brincam na rua e os jovens não se reúnem nas praças... tudo funciona por intermédio das redes sociais. Até mesmo o bullying e o convite indireto ao suicídio é realizado mais uma vez por meio eletrônico pelo contato de WhatsApp. Jovens são ameaçados, devido ao medo de pedir ajuda e demonstrar sua “fraqueza”, eles sofrem sozinhos. O mundo continua ao contrário e ninguém quer reparar.
 O “Momo” é apenas a “brincadeira” do momento, assim como foi a “Baleia Azul” há algum tempo. Um contato no WhatsApp que envia mensagens para as crianças e adolescentes incitando desafios de asfixia sob ameaça de prejudicar os familiares da vítima. A juventude está doente e a pressa cotidiana não deixa tempo para percebermos a proporção que o medo tomou. Pais e filhos mal se falam, as agressões são verbais, além de físicas, e o mal-estar emocional acaba culminando mais uma vez em suicídio.
 O bullying vai além dos apelidos na escola e atinge o mundo pessoal e, ao mesmo tempo, hiperconectado e difundido da telecomunicação. Concomitantemente e ainda tratado como um tabu, o suicídio agora é mais enfatizado ainda pela falta de comunicação e, principalmente, pela falta de respeito em relação ao próximo. E só de pensar que anos atrás, “Jogos Mortais” era apenas um filme de terror.
 É preciso falar sobre o cyberbullying, sobre o medo e a solidão. A falta de atenção leva à negligência do sofrimento alheio e a perda da empatia leva à propagação de desafios aterrorizantes. A geração de pais que vive para o trabalho não consegue se encontrar com a geração dos jovens que ninguém compreende. Há um gap, um espaço incomunicável entre os dois mundos e cada um sofre em seu canto.
 Mais uma vez, a razão é a falta de tempo para os filhos, que já podem se virar sozinhos.A pouca atenção ao sofrimento alheio e a cultura cada vez mais desapegada por fora e sentimentalista por dentro faz cada vez mais vítimas da tristeza constante e da necessidade de conversar, ainda que seja com um contato falso de WhatsApp que aterroriza. O medo de pedir ajuda e o terror psicológico de pessoas sem o menor respeito pelo próximo continuam a deixar o mundo de cabeça para baixo e sem esperança de socorro.


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