Estejamos atentos! Deus nos fala!

 Conta-se que um monge chamado Demétrio recebeu a seguinte ordem: “Põe-te a caminho, porque Deus quer se encontrar contigo antes do pôr do sol, no outro lado da montanha. Ele te aguarda numa cabana solitária”. O religioso partiu imediatamente, pois conhecia as dificuldades do caminho e a longa distância a percorrer. No meio da viagem, deparou-se com um ferido, pedindo socorro. O monge, quase sem parar, explicou-lhe que não poderia demorar-se ali, porque Deus o esperava do outro lado da montanha antes do anoitecer. Como os ferimentos “não pareciam” graves, prometeu-lhe que, na volta, assim que terminasse a entrevista com Deus, lhe prestaria a assistência necessária. Horas depois, quando o sol ainda estava alto, Demétrio chegou ao topo da montanha e, sem grande dificuldade, encontrou a cabana isolada onde Deus o estaria aguardando. Para sua surpresa, encontrou na porta um bilhete onde estava escrito: “Fui atender o ferido que tu deixaste abandonado. Volto logo!”. Assinado: “Deus”.
 A prática mostra que existem mil maneiras de amar ao próximo, mas uma só de amar a Deus: amando-O no próximo. Jesus mesmo disse: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34).
 Há um encantador jogo entre Deus e as suas criaturas: Deus se esconde e se permite encontrar. Para isso, Ele deixa mil pistas. Sentimos sua presença viva no milagre da Eucaristia. Sentimos a presença divina na beleza das coisas criadas, nos acontecimentos do dia a dia, na palavra revelada numa oração silenciosa, na Sagrada Escritura, nos templos... Mas, em todas essas dimensões, é fundamental que esteja presente a referência do irmão. Os irmãos se constituem na mediação mais clara de Deus. O compromisso do cristão é unir fé e vida, liturgia dominical e vida diária, Deus e o irmão.
 Assim como os hebreus, que depois de libertos da escravidão do Egito atravessaram o deserto rumo à terra prometida, também nós, libertos da escravidão do pecado pelo Batismo, caminhamos rumo à pátria definitiva – na eternidade. Nessa viagem, certamente, encontraremos pelo caminho irmãos enfermos e carentes. Passaremos indiferentes, pensando somente em nós mesmos, como o monge da historinha aqui narrada?
 Rezemos com São Francisco de Assis: “Fazei-nos, Senhor, instrumentos de seu amor e de sua paz!”.

Cônego Pedro Paulo Scannavino
Paróquia São João Batista

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