Meu Trabalho, Minha Escola

Uniforme surrado, bolsos cheios de telegramas para serem entregues em faixas horárias rígidas, que não podiam ser ultrapassadas, trabalhei duro durante minha adolescência. No entanto, adorava aquela empresa, os Correios.

Sol escaldante, chuva, frio, acidentes de trânsito de bicicleta, algumas dentadas de cachorros, são coisas menores diante do que aprendi lá. Aprendizado que ajuda-me até hoje.

Em outras atividades, muitos colegas de escola trabalhavam tão duro quanto eu. Outros, não faziam nada, mas executavam um grande serviço: mostravam-nos que não é interessante o ócio nesse período da vida, nem em outros.

Começava minha jornada de trabalho às seis horas da manhã. Ao invés do café matinal, almoçava. Dessa forma, no horário do almoço, não sentia fome e adiantava em duas horas minhas atividades profissionais. Assim, podia estudar à noite. Lá no Ginásio, claro. Aquela escola é inesquecível para minha geração.

Lembro-me, por exemplo, do reinício das aulas no segundo semestre. Alguns alunos de outras escolas daqui ou de outras cidades matriculavam-se pelo critério de transferência.

No dia da prova oral – feita na diretoria – eu dizia a eles que esse tipo de prova era lá com seu Nicanor. E mostrava onde ficava. Mas seu Nicanor era o dentista do Ginásio, um profissional querido por todos, afável demais. Com aquela paciência que ele tinha, direcionava corretamente esses alunos para o local onde era realizada a prova oral.

E dizia assim: "Aquele menino dos Correios não tem jeito".


Augusto Aguiar

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